
Jogo testado no PC
Outward 2 é um RPG de ação com elementos de sobrevivência que está sendo desenvolvido pela Nine Dots Studio e distribuído pela Nine Dots Publishing. O título ainda está em desenvolvimento com um acesso antecipado para PC previsto para 07/07/2026.
Como uma sequência de Outward (2019), Outward 2 expande toda a dinâmica do primeiro título, atualizando os visuais, os sistemas de combate e expandindo o mundo, porém ainda mantendo algumas escolhas peculiares e questionáveis que afetam parte da experiência.
Para quem não conhece, Outward é um RPG “hardcore”, mas não no estilo souls e sim no sentido de combinar sobrevivência, com um sistema de combate desafiador que abre poucas brechas para erros, mas que pode ser bastante explorado. O jogo original nos apresentou a uma dinâmica interessante, com um sistema de coleta e criação com várias receitas para descobrirmos, uma sobrevivência que nos força a lidar com fome, sede, machucados e intempéries naturais, além de um combate onde é literalmente necessário desequipar sua mochila, à jogando no chão para poder lutar, pois só assim podemos utilizar nossa stamina de forma otimizada.
O jogo teve uma recepção mista, pois vários de seus elementos até hoje não estão 100% e a experiência pode ser de fato frustrante, mas mesmo não sendo o melhor RPG já feito, ele conseguiu conquistar uma base de fãs que criaram diversas modificações para o título enquanto aguardavam esta sequência.
O playtest traz uma experiência limitada e nada polida, mas é o suficiente para mostrar os avanços e Outward 2. O novo título pega todos os elementos de seu antecessor, atualizando os sistemas e introduzindo alguns novos, sem alterar a dinâmica “hardcore” que não pega na mão.
Esta sequência se passa 50 anos após os eventos do primeiro título, em um mundo que evoluiu e agora velhos inimigos como os Imaculados estão convivendo juntamente com outros seres e nós embarcamos nesta aventura novamente como um aventureiro ordinário, só que agora tecnicamente não seremos forçados a pagar os débitos da família e sim poderemos escolher entre alguns backgrounds.
As mudanças já começam desde o início e agora a criação de personagem foi expandida com diversos modelos de corpos, rostos e modificações corporais. Para começar é preciso criar o background do personagem escolhendo entre opções que lhe fornecerão bônus de status em detrimento a outros, além de termos três cenários iniciais que expandem o início da jogatina nos dando novos pontos de partida.
Personagem feito é hora de testar o tutorial e sim, finalmente você não será simplesmente jogado no meio do mundo para se virar. O título nos apresenta a um curto tutorial que serve para ensinar o básico de algumas mecânicas que serão necessárias para a sobrevivência e combate, mas não espere muito pois o que temos só cobre realmente o básico.
A exploração e o combate continuam no estilo ame ou odeie e apesar de termos melhorias, os sistemas ainda sofrem com a falta de recursos de qualidade de vida. Na exploração, a sequência nos apresenta a um jogo quase que sandbox, com um mapa sem marcações onde o jogador decide o que fazer, qual rumo tomar e qual facção se aliar, sendo que só podemos escolher uma. A experiência traz diversas mecânicas que são o charme da jogatina, como o fato de ser necessário descobrir o que fazer, o que tomar, ou até mesmo no que se lambuzar para interagir com certos itens ou enfrentar certos inimigos.
Temos coleta e criação, com novas receitas e um sistema de craft mais direto, porém ainda será necessário fazer o gerenciamento da mochila, pois apesar do jogo adicionar animais de carga para facilitar um pouco, estes são vulneráveis e não temos viagem rápida. No final, você ainda terá de gastar muito tempo indo a pé do ponto A ao B e agora ainda nos preocupando com a carga, um sistema que melhora a experiência original, mas a falta de pontos para viagem rápida ainda é um problema.
O combate do primeiro jogo foi duramente criticado por conta dos problemas relacionados às animações lentas e engessadas que não podem ser interrompidas e também pela quantidade de preparação necessária para enfrentar certos inimigos. Bom, nesta sequência além de termos novas armas, as animações foram refeitas e estão muito mais suaves, além disso é possível cancelar os movimentos e se esquivar no meio do combate, este que traz um sistema de stamina menos agressivo e podemos atacar e nos defender com maior facilidade já de início.
Por outro lado, a preparação ainda é um fator a ser levado em conta, pois temos poções e efeitos negativos que vão influenciar nos confrontos, fora que quem quiser jogar de mago ainda terá de conviver com as limitações de mana e a necessidade de se preparar e usar um sigil, além de runas para soltar habilidades, o que não é nada intuitivo e limita demais quem opta por este caminho.
O novo jogo também atualiza os visuais e finalmente temos um jogo menos datado. O playtest nos apresentou a um título com bons modelos de personagens, cenário, textura e efeitos de iluminação, todos estes que não são de última geração, mas não estão feios. O lado ruim é que a otimização é inexistente e os bugs também. Lembrando que o título se encontra em desenvolvimento e o playtest é quase como uma versão alpha, assim durante nossos testes nós tivemos inconsistências de performance em todas as áreas do jogo, além de todo tipo de bug, desde coisas desaparecendo do inventário, NPCs com animações quebradas, cenários não carregando, multiplayer quebrado e outros.
No final, o playtest de Outward 2 nos apresenta a um título que evolui se comparado ao seu antecessor, mas que ainda precisa de tempo de desenvolvimento e alguns recursos de qualidade de vida mesmo que sejam opcionais. O título está programado para ser lançado em acesso antecipado e no estado atual, eu prefiro recomendá-lo somente para quem se interessar.
Veredito Gamers & Games
“Outward 2 demonstra uma evolução clara em relação ao original, trazendo melhorias no combate, nos visuais e na personalização. Porém, o estado atual do playtest ainda apresenta muitos problemas técnicos e mantém algumas escolhas de design que podem dividir opiniões.”












