AnálisesNintendoPCPlayStationXbox

REANIMAL: The Prisoner – Mais perguntas do que respostas! | Análise

Analisado no PlayStation 5


Eu já tinha uma relação meio complicada com REANIMAL. O jogo base me conquistou muito mais pelo clima, pela direção de arte e por aquela sensação constante de que alguma coisa muito estranha estava acontecendo do que propriamente pela história. É um daqueles jogos em que você termina uma cena pensando: Ok…, mas que negócio foi esse? E estranhamente, continua querendo descobrir.

Então eu entrei em The Prisoner esperando exatamente isso: mais perguntas, mais criaturas bizarras e algumas respostas. E a DLC entrega principalmente as duas primeiras coisas. The Prisoner é curto. Tipo assim, muito curto. E esse é provavelmente o maior problema da experiência. Em uma sessão tranquila, ele pode ser terminado em aproximadamente uma hora. Só que, curiosamente, eu não senti que estava jogando uma versão menor de REANIMAL. Senti que estava jogando um pedaço específico de uma história maior que simplesmente foi cortado e colocado aqui. E talvez essa seja justamente a proposta.

O que mais me chamou atenção é que a DLC parece menos preocupada em repetir o jogo base e mais interessada em mostrar o que existe por trás daquele mundo. E isso funciona melhor quando você começa a perceber que determinados acontecimentos não estão ali apenas para assustar. Eles parecem estar montando um quebra-cabeça muito maior. Se tem uma coisa que a Tarsier ainda sabe fazer como poucas desenvolvedoras, é criar ambientes que parecem estar respirando. The Prisoner consegue manter aquela estética nojenta, melancólica e desconfortável de REANIMAL sem depender o tempo inteiro de sustos. É mais aquela sensação de entrar em um lugar e pensar: cara, eu definitivamente não deveria estar aqui.

A DLC também acerta ao trabalhar melhor as situações de perseguição. Em um momento específico eu senti mais tensão aqui do que em boa parte do jogo principal. Não necessariamente porque os inimigos são mais assustadores, mas porque a maneira como eles são apresentados cria uma sensação maior de vulnerabilidade. E isso é importante em REANIMAL: quando o jogo tenta transformar você em um personagem poderoso, ele perde um pouco daquilo que faz esse universo funcionar. Quando ele simplesmente coloca você em um ambiente hostil e diz “se vira”, aí a coisa muda, e muda muito!

Outra coisa que me surpreendeu foi o trabalho com os puzzles. REANIMAL não é um jogo conhecido pela dificuldade dos seus enigmas, e essa foi uma crítica bastante recorrente ao jogo base. Alguns dos desafios funcionavam mais como obstáculos para impedir que você avançasse imediatamente do que como quebra-cabeças propriamente ditos. Em The Prisoner, pelo menos em alguns momentos, eu realmente precisei parar e observar o cenário. Não são puzzles absurdamente complexos, longe disso. Mas existe uma diferença gritante entre resolver porque o jogo esfregou na sua cara a resposta e resolver porque eu entendi o que tem que ser feito. E é aqui a DLC consegue ser mais interessante. É uma evolução pequena, mas perceptível.

Por outro lado, quando REANIMAL tenta ser um jogo de ação, eu acho que ele segue encontrando dificuldades. Algumas sequências funcionam muito bem justamente porque são caóticas e cinematográficas. O problema é quando o jogo começa a exigir que você lute de maneira mais direta. No modo solo, principalmente, algumas situações podem ficar estranhas por causa da câmera e da própria movimentação. Há momentos em que você não está exatamente lutando contra o inimigo, está lutando contra a câmera tentando entender onde você está. E isso acaba quebrando um pouco a tensão.

O curioso é que existem confrontos muito bons no DLC. Algumas das sequências envolvendo os perseguidores e os confrontos maiores são provavelmente os momentos que mais ficaram na minha cabeça.  Mas eu queria que o jogo tivesse coragem de fazer isso mais vezes.

A história é o ponto que eu acho que The Prisoner fica mais interessante, e mais frustrante. Porque ele claramente adiciona peças importantes ao universo de REANIMAL. O problema é que a Tarsier parece continuar seguindo aquela filosofia de entregar cinco pistas e nenhuma explicação, simplesmente porque sim. E eu até que gosto disso. Mas existe uma diferença entre deixar espaço para interpretação e simplesmente terminar uma história com mais perguntas do que respostas. E The Prisoner está perigosamente perto dessa segunda opção. Ao mesmo tempo, algumas revelações e conexões envolvendo os personagens, os corpos e determinadas criaturas são interessantes justamente porque fazem você reinterpretar coisas que já viu anteriormente. A DLC não parece interessada em explicar tudo. Ela quer que você saia dele fazendo teoria.

E, honestamente? Eu até prefiro isso a receber uma explicação mastigada. Só gostaria que, no meio dessas teorias, algumas coisas fossem efetivamente confirmadas.

The Prisoner tem um problemão: O tamanho. Aqui não tem o que defender.

Uma mísera hora. Uma hora é pouco. Muito pouco. Principalmente porque a DLC termina justamente quando você começa a entrar naquele estado de “agora o bicho vai pegar”. E isso é uma faca de dois gumes. Por um lado, o ritmo é ótimo. Não tem muita encheção de linguiça, não fica enrolando e não dá tempo de a fórmula cansar. Por outro, quando aparecem personagens, situações e possibilidades narrativas interessantes, tudo acaba rápido demais. Este aspecto pode ser considerado de duas formas: quem considere o capítulo uma experiência curta, porém divertida e bem ritmada, enquanto outros podem achar que a duração não conversa bem com o preço individual do conteúdo. Para mim, é exatamente isso. Eu gostei do que joguei. Só queria ter jogado mais e isso faz toda a diferença. Não terminei pensando que essa DLC foi ruim. Terminei pensando: Era só isso?

The Prisoner não é uma DLC indispensável para quem só quer mais algumas horas de REANIMAL. Mas é uma DLC importante para quem realmente ficou curioso com aquele universo. Ela mantém a atmosfera absurda do jogo original, melhora alguns dos puzzles, entrega sequências de perseguição muito boas e acrescenta informações que podem ser importantes para entender o que está acontecendo. Ao mesmo tempo, é curto demais, ainda tropeça quando tenta transformar REANIMAL em um jogo de combate e termina naquele velho problema da Tarsier: você recebe algumas respostas e, em troca, ganha outras dez perguntas. E eu não sei se isso é genial ou irritante. Provavelmente os dois.

The Prisoner é uma boa expansão, mas não uma excelente expansão. Tem potencial, tem momentos excelentes e deixa vontade de ver o próximo capítulo. Só precisava de mais tempo para desenvolver tudo aquilo que começa a apresentar. No meu caso, ficou aquela sensação curiosa de terminar satisfeito e frustrado ao mesmo tempo. Não é uma DLC que vai transformar a minha opinião sobre REANIMAL. Mas é o tipo de capítulo que termina e faz você correr para a internet imediatamente e procurar teoria sobre o que acabou de acontecer. E, conhecendo a Tarsier, talvez esse seja exatamente o intuito. E quem sabe isso seja a definição mais real de REANIMAL.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
7.2
/ 10

“REANIMAL: The Prisoner mantém a atmosfera marcante do jogo original, melhora os puzzles e entrega boas perseguições, mas é curto demais e ainda tropeça no combate, na câmera e em sua narrativa inconclusiva.”

REANIMAL The Prisoner

7.2

Nota

7.2/10

Positivos

  • Atmosfera
  • Direção de arte
  • Puzzles melhores
  • Perseguições cinematográficas

Negativos

  • Duração
  • Combate
  • Câmera
  • História inconclusiva

Thiago Richeliê

Um otimista cauteloso que sofre influências da desastrosa Lei de Murphy! Fisioterapeuta, amante de Games, o louco das Séries, apaixonado por Filmes e que chora ouvindo Músicas.
Botão Voltar ao topo
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecer você quando retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.