
Games alcançam 75,3% dos brasileiros e inspiram novas experiências de consumo às vésperas do SBGames 2026
Destaques da Notícia:
- 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais, aponta Pesquisa Game Brasil 2026
- SBGames 2026 acontece de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia
- Marcas adotam lógica de game design em eventos, campanhas e programas de fidelidade
O videogame está deixando de ser apenas referência de entretenimento para se tornar uma linguagem de interação usada por marcas em pontos de venda, eventos, campanhas e programas de relacionamento. Com a proximidade do SBGames 2026, que será realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia, organizado pela Sociedade Brasileira de Computação, o simpósio reúne pesquisadores, profissionais da indústria e criadores para discutir jogos digitais, analógicos e experiências híbridas.
A Pesquisa Game Brasil 2026 ajuda a dimensionar essa influência cultural. Segundo o levantamento, 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais, 36,5% dos jogadores pertencem à geração Z e 86,7% consideram os games sua principal forma de entretenimento. A familiaridade com objetivos, progresso, resposta imediata e recompensas cria um repertório que também pode ser reconhecido em outras jornadas de consumo.
Do jogo para a jornada do consumidor
A aplicação dessas referências tende a ser menos literal do que a ideia tradicional de gamificação. Em vez de transformar toda interação em competição, marcas podem aproveitar partes específicas da lógica dos jogos. Um ranking pode se tornar reconhecimento em um programa de fidelidade. Missões podem conduzir etapas de uma ativação. Recompensas podem incentivar ações, enquanto sistemas de progressão ajudam o público a entender o que já fez e qual é o próximo passo.
Pesquisa da Deloitte com 5.564 adultos dos Estados Unidos participantes de programas de fidelidade, realizada entre setembro e outubro de 2025, mostrou que 72% dizem que esses programas aumentam a probabilidade de gastar com a marca preferida e 56% afirmam elevar seus gastos por causa deles. O estudo também identificou entre os públicos mais jovens maior interesse por acompanhamento em tempo real, experiências digitais agradáveis e formas diferenciadas de participação.
“Quando falamos em experiências inovadoras para eventos, o ponto não é colocar um jogo no estande apenas para chamar atenção. O game design ajuda a estruturar uma jornada, mostrando o que a pessoa pode fazer, seu progresso e o retorno de cada ação”, afirma Lucas Longhi, CEO da IOXtream.
Participação ganha espaço sobre o espetáculo
A lógica também aparece nos eventos presenciais. Pesquisa da Freeman publicada em 2025 apontou que 61% dos participantes consultados associam uma experiência imersiva à possibilidade de interagir de forma prática e testar algo por conta própria. O resultado indica que a imersão não depende necessariamente de grandes instalações tecnológicas, mas de participação ativa e de uma experiência que ajude o visitante a alcançar um objetivo.
O feedback imediato pode mostrar ao visitante o resultado de uma escolha, enquanto a progressão organiza etapas e desafios que podem conduzir o público por diferentes momentos da experiência. Para a IOXtream, o cuidado está em não aplicar essas mecânicas de forma automática.
“Uma mecânica só funciona quando ajuda a pessoa a entender o que fazer e por que continuar. Se ranking, prêmio ou desafio entra apenas como decoração, pode criar fricção em vez de participação. O aprendizado dos jogos está em desenhar regras, retorno e progressão coerentes com o comportamento esperado”, acrescenta Lucas Longhi.
Game design vai além da gamificação
A Mastercard também destacou, em análise publicada em 2025 sobre programas de fidelidade, o uso de missões, desafios, minijogos, níveis e conquistas como formas de estruturar a participação. A lógica é transformar uma relação antes concentrada apenas em pontos e transações em uma jornada na qual o consumidor acompanha avanços, alcança marcos e recebe recompensas vinculadas às próprias ações.
Com o SBGames 2026 colocando jogos e experiências híbridas no centro do debate, a aproximação entre games, eventos e marketing ganha novo contexto. Para as marcas, o desafio será usar essa linguagem sem reduzir a estratégia a pontos, medalhas ou sorteios, tratando o game design como ferramenta para tornar jornadas mais claras, participativas e mensuráveis.






