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Constance – Um metroidvania divertido, porém inconstante | Análise

Analisado no Nintendo Switch 2


Lançado em 01 de maio de 2026 pela BTF, Constance embarca na onda dos metroidvania com uma proposta bastante interessante: transformar o subconsciente de uma artista em um mundo para explorar e combater. Na pele de Connie, uma designer gráfica sufocada por prazos curtos e tarefas intermináveis, somos levados a uma espécie de labirinto mental povoado por monstros e conflitos que remetem à sua própria rotina. Para enfrentá-los, ela conta com seu gigantesco pincel — uma ferramenta que, além de arma, é também a principal forma de interagir com esse universo.

As metáforas artísticas não ficam apenas na história e permeiam praticamente todas as mecânicas do jogo. Connie pode brandir o pincel como uma espada, transformar-se em tinta para atravessar passagens estreitas e até pintar determinados dispositivos para modificá-los a seu favor. É uma maneira interessante de fazer com que a temática do jogo esteja presente não apenas no que ele conta, mas também na forma como é jogado.

E é justamente essa combinação entre arte, exploração e metáforas sobre saúde mental que faz Constance chamar a atenção. O problema é que, apesar de ter boas ideias e momentos bastante inspirados, o jogo nem sempre consegue manter o mesmo nível de qualidade ao longo da aventura.

Falando em arte, as escolhas artísticas de Constance são muito acertadas. O visual completamente desenhado à mão é um espetáculo para os olhos, e a protagonista, por si só, é muito carismática, além de toda a sua aura de artista, com seus cabelos coloridos, sua capa (no maior estilo professora de educação artística ou teatro) e, claro, seu pincel gigante!

Os controles são precisos e a movimentação é fluida, tornando os desafios das plataformas uma experiência bastante justa: se você não consegue fazer algo, a culpa não foi do controle! Ainda falando sobre isso, vários dos desafios são bastante criativos e fazem você pensar um pouco antes de agir. O jogo te dá uma descarga de dopamina ao conseguir resolver os pequenos “puzzles” das plataformas: é preciso fazer movimentos ágeis, no timing certo, combinando suas diferentes habilidades para conseguir avançar.

Você pode, por exemplo, ter que jogar tinta em um mecanismo, deslizar na forma de tinta por uma passagem que lhe é revelada e já bater em uma alavanca, tudo isso em alguns instantes! Na primeira vez, quase sempre a gente leva dano, mas, com isso, já mecaniza o que precisa ser feito e tenta realizar tudo na ordem e no tempo certo, sentindo-se bastante satisfeito com a “tarefa” realizada.

Mas nem tudo são flores: a dificuldade em Constance varia de forma um tanto inconstante (me perdoe o trocadilho). Você já começa o jogo pulando de uma flor para outra, sendo exigido um timing apurado para não cair do precipício, mas, algum tempo depois, encontra-se em uma cidade iluminada por neons, com elementos tediosos de exploração. É quase como se o jogo te convidasse a descansar da adrenalina de antes, mas de uma forma que acaba desviando o seu interesse.

Além disso, a limitação da quantidade de tinta que você pode usar a cada período de tempo é bastante inconveniente. Tanto o “dash” quanto o golpe forte consomem tinta, o que significa que, em uma batalha mais frenética, seus recursos precisam ser muito bem gerenciados, sob a penalidade de consumir sua própria vida a cada tentativa frustrada. E convenhamos: quem quer pensar em não usar dash durante uma batalha com um chefe?

Falando nisso, os embates com os bosses conseguem ser bastante criativos e divertidos. Cada um apresenta mecânicas diferentes, que fazem você estudar cuidadosamente seu padrão de movimentação e qual seria a melhor ação para neutralizá-lo. Apesar disso, há um contraste muito grande entre a dificuldade dos minions e a dos chefes. Enquanto os minions possuem movimentação bastante simples e, por vezes, monótona — irritando mais pela quantidade do que pela qualidade —, os chefes exigem tudo de você em uma batalha mental, de raciocínio e agilidade (e controle de recursos, já que sua barra de tinta é consumida com facilidade, e sua recarga apesar de não demorar, dita o ritmo da sua ação) …

Após vencer os chefes, você volta ao “mundo real” de Constance, acompanhando sua luta com prazos absurdos, demandas contínuas, supervisores tóxicos e tudo aquilo que começa a perseguir o jovem adulto. Sendo assim, o jogo passa por temáticas sensíveis e tenta mostrar, de forma metafórica, como a arte pode ser uma grande aliada para sair desse buraco em que o mundo às vezes nos coloca.

Apesar disso, essa temática é explícita majoritariamente nas cutscenes espalhadas após cada batalha com os bosses e, durante a maior parte do jogo, você simplesmente pensa no jogo como um metroidvania mesmo.

Claramente inspirado em Hollow Knight, o jogo possui muitos elementos em comum com o título, desde o estilo artístico e a caracterização da protagonista — com uma capa tal qual a do silencioso cavaleiro oco — até a movimentação do ataque. O movimento feito com o pincel é praticamente igual ao realizado pela espada em Hollow Knight. O estilo do dash também é semelhante, assim como a mecânica dos checkpoints, onde você se senta para descansar e pode, somente ali, mudar suas técnicas (ou inspirações) para ajustar melhor ao estilo de jogo que precisa.

Mas essa semelhança toda não joga necessariamente a favor de Constance. Enquanto o level design da obra original te convida a explorar cada cantinho do mundo dos insetos, em Constance por vezes você acha a navegação fácil demais e, por vezes, difícil demais — e uma coisa muda para a outra em um piscar de olhos. Além disso, por mais que a ambientação artística seja muito bonita e se assemelhe à de Hollow Knight, é frequente perceber o cenário meio “vazio”, fazendo com que você se sinta andando no meio do nada em alguns momentos.

Ao morrer, você pode escolher entre voltar para o checkpoint ou continuar de onde estava, mas pagando o preço de prosseguir com um nível de dificuldade aumentado. Essa mecânica é bastante justa, pois quem nunca se rasgou de raiva ao morrer em um ponto longe do último checkpoint, sem saber se consegue voltar tranquilamente até o lugar longínquo aonde chegou? Às vezes, uma dificuldade maior é um preço barato para você tentar mais uma vez chegar até o próximo banquinho e salvar seu jogo com tranquilidade!

Custando R$59,99 na eShop brasileira e tendo localização para o português do brasil, Constance é um jogo que pode divertir quem curte o gênero metroidvania, mas que bebe demais da fonte de Hollow Knight, nos levando a comparações desnecessárias e fazendo com que a experiência perca um pouco do brilho que poderia ter.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
6.8
/ 10

“Constance é um metroidvania divertido, com belo estilo artístico, movimentação fluida e boas ideias, mas sua experiência é prejudicada pela dificuldade e exploração inconstantes.”

Constance

6.8

Nota

6.8/10

Positivos

  • Estilo artístico
  • Motivação sobre saúde mental
  • Movimentação fluida
  • Lutas com os chefes com potencial para serem divertidas
  • Possibilidade de escolher como continuar o jogo após ser derrotado

Negativos

  • Dificuldade inconsistente
  • Exploração varia entre brilhante e tediosa
  • Limitação de recursos como dash “trunca” o jogo

Vlademir Vitaliano

Químico de formação, com doutorado em engenharia da nanotecnologia. Meu primeiro videogame foi um Mega Drive, através do qual me apaixonei pelos jogos mais casuais, sejam eles de aventura, luta ou corrida. Atualmente sou fã da Nintendo e suas "Nintendices".
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