
NBA THE RUN – Estilo e atitude, mas falta conteúdo | Análise
Analisado no PC
NBA THE RUN é um jogo de basquete de rua 3v3 online com foco em ação arcade, desenvolvido pela Play by Play Studios (estúdio formado por veteranos da EA Sports). Lançado em 09/06/2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, o jogo chega com a missão de resgatar a essência dos jogos de basquete arcade que marcaram época no PS2 e Xbox original.

A temática de NBA THE RUN é direta, basquete de rua em sua essência mais pura. O jogo coloca você no papel de um jogador (ou de um time inteiro) que precisa vencer torneios eliminatórios em quadras icônicas ao redor do mundo para provar que é o melhor. O título do jogo já entrega a proposta: THE RUN é a jornada, a sequência de vitórias necessárias para conquistar o título. Cada “run” é um torneio de quatro rodadas (qualificatória, quartas, semi e final), e uma derrota significa recomeçar do zero.
O que mais impressiona desde o primeiro torneio foi a fluidez dos controles. Cada astro da NBA tem seu próprio conjunto de habilidades e estatísticas, por exemplo Steph Curry é capaz de arremessar de qualquer lugar, mas facilmente bloqueado; Victor Wembanyama domina o garrafão, mas sofre se for forçado a jogar de fora. Montar um time exige planejamento, e descobri da pior forma que um time só com pivôs é uma aposta arriscada quando as regras aleatórias favorecem arremessos de três pontos.

Cada partida é um torneio Knockout de quatro rodadas e você precisa vencer quatro jogos consecutivos para conquistar o título. As partidas duram cerca de 2 a 3 minutos, e um torneio completo leva aproximadamente 15 a 20 minutos. A cada rodada, regras aleatórias são aplicadas (enterradas valem mais pontos ou apenas três pontos valem) e confesso que essa imprevisibilidade deixa as partidas mais interessantes. O sistema “In the Zone” é o coração da experiência arcade de NBA The Run, funcionando como um “ultimate” que recompensa jogadas de alto nível com um boost temporário de poder. A barra, localizada no topo da tela, é preenchida ao realizar boas ações em quadra, como pontuar, dar assistências, fazer bloqueios e roubos de bola. Quando cheia, o jogador pode ativá-la pressionando os dois analógicos ao mesmo tempo, ganhando acesso a habilidades especiais que refletem o estilo de cada atleta. Embora seja um dos grandes acertos do jogo, o sistema é uma versão simplificada de mecânicas semelhantes em clássicos como NBA Street, onde a construção de combos e estilos era mais complexa.
O jogo oferece três modos principais: Knockout Squads (cada jogador controla um membro do time), Knockout Solos (onde você controla todos os três membros, como nos clássicos NBA Street) e Knockout Friends (modo privado contra amigos ou IA). Há também o Shootaround, (um modo de treino) mas achei ele pouco eficiente para aprender as mecânicas, já que o jogo não oferece um tutorial propriamente dito. A experiência online é fluida e responsiva, sem aquele atraso que prejudica jogos como NBA 2K. Durante as partidas, senti que os dribles e passes saíam no timing certo, e quando perdia a bola, a sensação era de que a culpa era minha falta de habilidade, e não a conexão. O cross-play entre PC, PlayStation e Xbox mantém a base de jogadores unificada.

Porém, o matchmaking é desbalanceado, em vez de entregar adversários do mesmo nível de habilidade, o jogo muitas vezes coloca iniciantes contra veteranos, tornando as partidas desiguais e frustrantes. Em algumas ocasiões, a tela de espera demora bons minutos, especialmente nas semifinais dos torneios, onde a base de jogadores parece se afunilar.
NBA The Run não conta com legendas em português do Brasil, o que é contraditório já que as lojas da Microsoft e do Xbox têm descrições completas do jogo em português, o que mostra que a desenvolvedora conhece o mercado brasileiro, mas optou por não estender o mesmo cuidado ao jogo em si. Para quem não domina o inglês, a falta de legendas dificulta a compreensão das mecânicas, das regras dos torneios e das habilidades do sistema “In the Zone”, além de prejudicar a imersão na narração, que é parte importante da atmosfera do jogo.

A direção de arte é muito boa, já que os traços exagerados estilo caricatura e os contornos escuros reforçam a identidade arcade. The Run abandona o fotorrealismo dos simuladores tradicionais e aposta em uma estética estilizada em cel-shading, com visuais que lembram histórias em quadrinhos. O jogo mistura nostalgia e cultura global, trazendo locais icônicos do basquete de rua como Rucker Park (Nova York) e Venice Beach (Los Angeles), além de introduzir cenários internacionais como o Tenement nas Filipinas e Dongdan na China.
A base da personalização são os itens cosméticos desbloqueáveis com a moeda do jogo, o Cred. Com ele, você pode adquirir roupas, acessórios e animações. É possível vestir versões alternativas dos times, incluindo os nostálgicos uniformes retrô da NBA, que remetem a épocas clássicas da liga. Além disso, a personalização abrange uma ampla gama de itens, como tatuagens e cortes de cabelo, permitindo que cada atleta tenha uma aparência única e autêntica. As animações também entram nessa conta: você pode personalizar a estética das suas jogadas com pacotes de enterradas e comemorações exclusivas, que dão um toque pessoal a cada drible, enterrada ou cesta comemorada.

O roadmap de conteúdo futuro promete novos jogadores, temporadas e um modo campanha prometido para 2027… é promissor e pode transformar NBA THE RUN em um jogo mais completo. Por enquanto, porém, é uma experiência divertida, mas superficial. Ideal para quem busca partidas rápidas e descompromissadas com amigos ou online, mas que não espere um jogo para passar horas e horas.
Veredito Gamers & Games
7.0
/ 10
“NBA THE RUN acerta na jogabilidade, na identidade arcade e no cross-play, mas chega com pouco conteúdo, matchmaking inconsistente e ausência de localização em português, tornando a experiência divertida, porém limitada para o longo prazo.”






