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Marvel’s Wolverine – Garras, sangue e zero paciência | Análise

Analisado no PlayStation 5


Eu acho que Marvel’s Wolverine tinha uma missão relativamente simples: me fazer sentir como o Wolverine. E, depois de jogar, eu consigo dizer que conseguiu. Não é um jogo que tenta reinventar o gênero de ação focado em andar/correr/bater, não tem a pretensão de apresentar uma narrativa cheia de camadas filosóficas e moralistas, ou mesmo construir um sistema de progressão que exige uma planilha do Excel para entender. Também não é aquele tipo de experiência em que você passa mais tempo montando build do que efetivamente jogando e imergindo na jornada. E, sinceramente? Ainda bem. Tem horas que a gente só quer sentar-se no sofá de casa após uma jornada de trabalho e curtir um joguinho frenético que distribui porradaria e violência gratuita, porém justificada.

Wolverine

Marvel’s Wolverine consegue apresentar e desenvolver exatamente o que prometeu ser: um jogo de ação linear, cinematográfico, violento, divertido e extremamente focado no personagem. E como ele entende isso, funciona muito bem. A história apresenta uma versão própria do Wolverine e brinca bastante com elementos conhecidos dos quadrinhos, animações e filmes dos X-Men, mas sem simplesmente tentar copiar qualquer uma dessas versões. Aqui, Logan ainda está em um mundo em que os mutantes vivem praticamente escondidos e os X-Men sequer existem. A presença de personagens conhecidos como Jean Grey, Mística, Dentes-de-Sabre, Ômega Vermelho e outros ajuda a criar aquela sensação gostosa de estar dentro de uma história familiar dos X-Men, mesmo quando o jogo está contando algo completamente novo.

E uma das coisas que mais me surpreendeu foi a Jean Grey. Em determinados momentos, ela simplesmente rouba o protagonismo do Wolverine. Não no sentido de diminuir Logan, mas porque a personagem é muito bem utilizada dentro da narrativa. A relação entre os dois também funciona melhor do que eu esperava e dá ao jogo alguns dos seus momentos mais interessantes. Logan, por outro lado, continua sendo aquele sujeito traumatizado, rabugento, violento e com dificuldade absurda de demonstrar sentimentos. Ou seja: Wolverine sendo Wolverine e eu amo isso. Quem conhece os quadrinhos vai encontrar várias referências visuais e narrativas que parecem pequenos acenos para diferentes fases do personagem. Quem cresceu vendo X-Men: Evolution, X-Men dos anos 1990 e atualmente a continuação, X-Men 97’, ou mesmo, acompanhou os filmes, ou se simplesmente conhece Logan pelo cinema também vai reconhecer algumas ideias familiares.

Marvels Wolverine 01

Mas é importante dizer que o jogo não fica dependente da nostalgia. A história não é perfeita e definitivamente não é uma obra de roteiro que vai mudar sua percepção sobre videogames de maneira alguma. Ela é direta, tem seus momentos previsíveis e algumas decisões poderiam ter sido mais aprofundadas. Porém, funciona muito bem como entretenimento. É aquele tipo de história que me fez pensar: Está bom, Thiago, só mais uma missão. E quando me dei conta, já tinha passado mais algumas horas jogando e eu quase perdi a hora de um compromisso.

Aqui está, para mim, o grande motivo para você jogar Marvel’s Wolverine: O combate é divertidíssimo. Não existe sensação melhor do que entrar numa sala cheia de inimigos, sacar as garras e simplesmente partir para cima e fatiar eles igual presunto. O jogo entende que o Wolverine não deve lutar como o Homem-Aranha, nem como um personagem tradicional de ação. Logan é pesado, agressivo, brutal e parece estar sempre a dois segundos de perder completamente a paciência e isso traz uma bagagem de combate bem interessante, porque ele de fato perde a paciência rapidamente. E isso aparece na gameplay. As garras têm impacto, os golpes são violentos, a regeneração faz parte da experiência e a fúria ajuda a criar aquele momento em que você simplesmente deixa de lutar e começa a resolver problemas de maneira extremamente pessoal. Porque, para o Logan, a violência não é a resposta, é uma pergunta que se responde com um SIM.

Wolverine 02

O que para mim funcionou bem é que essa evolução acontece pelas relações dele com outros personagens, e não apenas por meio de grandes discursos clichês de protagonistas. Dentes-de-Sabre, Mística, Jean Grey e outros personagens acabam funcionando mais como espelhos para diferentes fragmentos da personalidade do Logan. Isso cria um contraste interessante entre o Wolverine extremamente agressivo e aquele cara mais fechado, solitário e emocionalmente prejudicado. Uma das coisas que mais gostei na narrativa é que Logan não termina a história sendo uma pessoa completamente diferente. A evolução dele é mais humana do que isso. Ele continua sendo explosivo, violento e cheio de problemas, mas começa a entender melhor o peso das próprias escolhas e a importância de criar vínculos. É um desenvolvimento gradual, que funciona justamente porque não tenta transformar Wolverine em outro personagem, e isso, meus amigos, é arte pura!

A variedade de inimigos também ajuda bastante. Reavers, soldados, mutantes e inimigos mais pesados exigem pequenas mudanças de abordagem e impedem que o combate fique completamente automático. Mas aqui vai uma crítica importante: o jogo não inventa a roda, então não vem reclamar disso. Se você procura uma revolução na jogabilidade, não vai encontrar. O combate tem referências bastante claras de outros jogos de ação e aventura. As técnicas, adaptações, habilidades e possibilidades de evolução funcionam bem, mas não chegam ao ponto de criar um sistema absurdamente complexo. E eu amei disso. Simplesmente porque não precisei passar meia hora olhando árvore de habilidades para decidir se colocaria três pontos em uma habilidade que aumenta 3% do dano de uma esquiva durante um ataque aéreo que talvez nem aconteça. Aqui você evolui, libera coisas novas, melhora o Wolverine e continua picotando inimigos. Simples. Direto. Divertido. Sem frescuras.

Existem também momentos de exploração, colecionáveis e atividades opcionais, mas nada disso parece querer transformar o jogo em um segundo emprego. A estrutura mais linear também foi uma escolha acertada. Diferente de experiências enormes de mundo aberto, aqui a aventura é mais controlada, cinematográfica e objetiva.

Marvels Wolverine 03

Tecnicamente, Marvel’s Wolverine é um jogo muito bonito. Os personagens muito detalhados, os efeitos das garras são excelentes e a violência combina perfeitamente com a proposta. O desgaste visual durante os combates também ajuda a transmitir a sensação de que Logan realmente acabou de atravessar uma briga de bar envolvendo aproximadamente 43 pessoas. Aqui ele se suja de sangue, suas roupas rasgam e isso é incrível! Mas, falando honestamente, durante minha jogatina, o que mais me chamou atenção foi a ambientação. O jogo consegue apresentar lugares bastante diferentes sem parecer que estamos simplesmente trocando o papel de parede. Existem cenários mais urbanos, ambientes fechados, regiões naturais e sequências mais cinematográficas que mudam completamente o ritmo da aventura. E quando o jogo decide fazer uma cena grande, ele sabe fazer. Alguns momentos parecem ter saído diretamente de uma história em quadrinhos. Inclusive, li em algum lugar que a equipe comentou que existem homenagens visuais a capas, painéis e outras representações históricas do personagem espalhadas pela experiência.

A trilha sonora acompanha muito bem o clima da aventura. Ela consegue ser mais discreta durante os momentos narrativos e crescer quando a pancadaria começa. Não estou falando que é necessariamente aquela trilha que vai ficar tocando na minha cabeça durante três semanas, mas cumpre muito bem seu papel, junto dos efeitos sonoros das garras, dos impactos e dos golpes, o que também faz total diferença. Nesse jogo, você sente que está batendo de fato, em alguma coisa. E há quem diga que isso é apenas um detalhe pequeno, mas em um jogo cujo principal objetivo é transformar um homem com garras de adamantium numa máquina de distribuir problemas, é bastante significativo.

Marvels Wolverine 02

Agora eu preciso dar destaque para a dublagem em PT-BR que é fantástica, porque ela é simplesmente fenomenal. As atuações ajudam muito a vender os personagens e tornam a experiência ainda mais agradável para quem joga em português. O elenco consegue transmitir personalidade sem parecer que está simplesmente lendo falas traduzidas. Isso ajuda bastante nas cenas mais emocionais e nas interações entre os personagens. Entretanto, existe uma decisão que me incomodou demais: os nomes dos personagens não foram traduzidos. Então temos Mística, Dentes-de-Sabre, Ômega Vermelho (Mystique, Sabretooth, Omega Red) e companhia mantendo os nomes em inglês mesmo dentro da localização brasileira. É uma escolha que, pessoalmente, me tira um pouco da imersão, principalmente porque crescemos ouvindo nomes como Mística, Dentes-de-Sabre e afins. Regionalmente, isso quebra um pouco a experiência. Não estraga o jogo, mas é aquele detalhe que fica martelando na cabeça de quem sofre de ansiedade.

Mas nem tudo está tão perfeito assim. Eu encontrei alguns bugs pontuais durante minha experiência, nada que tenha destruído minha campanha, mas aconteceram problemas suficientes para eu perceber que alguns parafusos ainda precisam ser apertados. Também houve situações envolvendo áudio e comportamento de determinadas cenas que causaram certo desconforto. São problemas que podem ser corrigidos com atualizações, mas, em um jogo desse tamanho, ainda vale registrar.

  Wolverine 02

De forma geral, Marvel’s Wolverine não quer ser um RPG gigantesco, não quer ser um Elden Ring de super-heróis, sobretudo, não quer reinventar o combate em terceira pessoa. E também não quer me obrigar a montar uma build de Wolverine baseada em 14 multiplicadores, 6 efeitos de sangramento e uma habilidade que só funciona quando a lua está em Capricórnio. Ele quer me colocar na pele do Wolverine e acerta lindamente nisso. A gameplay é gostosa, a dificuldade é bem nivelada, os personagens são variados, a ambientação é muito bem construída e as atuações seguram muito bem a parte narrativa. Definitivamente, é uma aventura que sabe ser séria quando precisa, mas também sabe simplesmente me deixar sair por aí distribuindo porrada com duas lâminas gigantes nas mãos como se isso fosse completamente normal. E é disso que eu gosto, de jogos que não tentar inventar a roda, mas que sabem girar ela direitinho.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
9.2
/ 10

“Marvel’s Wolverine entrega uma aventura de ação divertida, brutal e cinematográfica que entende muito bem seu protagonista. Com combate excelente, ótima ambientação e uma dublagem PT-BR fantástica, pequenos problemas técnicos e escolhas na localização impedem que a experiência seja ainda mais perfeita.”

Marvel’s Wolverine

9.2

Nota

9.2/10

Positivos

  • Combate
  • Elenco
  • Dublagem em Pt-Br
  • Ambientação
  • Gráficos

Negativos

  • Bugs pontuais
  • Nomes dos personagens em inglês

Thiago Richeliê

Um otimista cauteloso que sofre influências da desastrosa Lei de Murphy! Fisioterapeuta, amante de Games, o louco das Séries, apaixonado por Filmes e que chora ouvindo Músicas.
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